Policial vira funkeiro após o plantão.

Quem cruza com o inspetor Pitágoras Bernardino Ribeiro, de 54 anos, da Divisão de Homicídios de Niterói, Itaboraí e São Gonçalo, não imagina que por trás daquela austeridade de policial civil existe
a irreverência do MC Tio Lima. Apostando em letras bem humoradas, com duplo sentido e rimas fáceis, o policial funkeiro diz não ter pretensões de ganhar dinheiro com música. Mas ele se empolga e dá mais asas à criatividade quando percebe que os seus batidões não saem da cabeça dos ouvintes.
— Trabalhava na 71ª DP (Itaboraí) e no tempo vago comecei a transformar frases do cotidiano em funk. Os colegas se amarraram e até o delegado me incentivou a gravar — lembra o inspetor, que pretende apostar como sucesso na cômica “O sapo pula, a rã caminha’’.
Ribeiro disse que um dia, durante o expediente, foi surpreendido com a chegada de um DJ que havia ido fazer um registro de ocorrência. Ele contou que tinha sido vítima de uma agressão.
— Depois que acabou de ser atendido, conversei com ele, despretensiosamente, sobre meus funks. Não é que o cara curtiu também! Ele me levou para o estúdio do DJ Buiú, que é muito conhecido no meio funk, e desde então já gravamos quatro músicas.
Engana-se quem acha que o funk sempre esteve presente na vida do inspetor. Ele revela que na juventude teve uma banda de rock.
— Tinha 20 anos quando comecei a cantar. Era uma banda de garagem, mas se investíssemos acho até que poderíamos ter feito sucesso. Mas cada um seguiu o seu caminho e acabei entrando para a polícia — explica o MC Tio Lima, acrescentando que quando contou a novidade para os quatro filhos, todos se surpreenderam:
— Minha filha disse que eu estava ficando maluco.
Na delegacia, o seu lado artista divide opiniões:
— Não gosto deste estilo de música, mas o Ribeiro tem desenvolvido um belo trabalho aqui. Muitos colegas na delegacia acham que os seus funks são muito engraçados — avalia o delegado-titular da DH, Wellington Vieira.

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