Mesmo tendo apenas dois anos de
existência, a Rio Parada Funk já passou pelos mesmos altos e baixos,
sempre extremos, que o funk atravessa desde seu surgimento, no final dos
anos 1980.
Perseguido, marginalizado, exaltado, celebrado e novamente esculachado, o funk ora é criticado pelo teor violento e sexual das letras, ora elogiado pelo retrato social preciso e pela autogestão bem-sucedida. Nessa turbulenta relação com a sociedade, a única constante é o fato de que o funk nunca para, sempre se reinventa, transforma e surpreende.
Perseguido, marginalizado, exaltado, celebrado e novamente esculachado, o funk ora é criticado pelo teor violento e sexual das letras, ora elogiado pelo retrato social preciso e pela autogestão bem-sucedida. Nessa turbulenta relação com a sociedade, a única constante é o fato de que o funk nunca para, sempre se reinventa, transforma e surpreende.
A terceira edição da parada terá 12
palcos contando a história do funk, comandados pelas principais equipes
de som, com nomes como Clima dos Bailes, Favela Tem Conceito, Outro Lado
da Poça e Clube Balanço/Funk Nacional. Serão mais de cem atrações,
incluindo MC Marcinho, DJ Marlboro, Tati Quebra-Barraco, MC Sabrina e
Coringa, selecionadas pelo lendário DJ Grand Master Raphael e uma junta
de especialistas.
O baile a céu aberto acontecerá na Praça
da Apoteose, no dia 24 de novembro, das 12h às 22h. O local por si só é
uma vitória emblemática.
— Além de toda a simbologia, a Apoteose é
a casa do samba, que, assim como o funk, foi marginalizado até virar
trilha oficial do Rio. Representa muito para o movimento — comemora
Mateus Aragão, idealizador do evento.
Quando concebeu a primeira edição da
RPF, em 2011, Mateus foi considerado um louco por apenas cogitar a ideia
de realizar um baile desse tamanho. Por conta disso, o evento teve seu
local transferido três vezes pelas autoridades antes de aportar no Largo
da Carioca, no Centro, atraindo dezenas de milhares de pessoas. No ano
seguinte, na Lapa, o saldo foi novamente positivo, surpreendendo os
críticos: nenhuma ocorrência policial ou registro de confusão.
Neste ano, finalmente há o apoio oficial
da Prefeitura, que promete inserir a Rio Parada Funk no calendário
oficial da cidade. Os ingressos gratuitos deverão ser impressos pelo
público após um cadastro online em rioparadafunk.com.br.
A expectativa da produção é de que 20
mil pessoas passem pelo local — números bem mais baixos do que nos anos
anteriores, quando reuniu 160 mil pessoas, de acordo com os
organizadores. O momento, no entanto, é de ascensão, com nomes como
Anitta e Naldo em evidência. Preocupada em preservar a história do funk,
a RPF tem como marca os palcos dedicados a épocas e artistas
importantes do gênero, assim como apontar pro futuro.
— Optamos por contar a história do
movimento — diz Mateus. — O funk reúne diversas gerações, que se
emocionam com a essa trajetória, e isso é muito importante para nós. Mas
garantimos espaço para todos. O palco Tamborzão, por exemplo, comandado
pela equipe do Mr. Catra, representa esse célebre momento do funk
atual. O Funk Mundial tem produções de estrangeiros.
Os sonhos de Mateus são ambiciosos.
— Estamos muito felizes, porém muito
longe de onde queremos. O desejo é ver um grande centro totalmente
dedicado a cultura funk. É muito legal ver São Paulo tomado pelo funk,
assim como ver artistas do rap de São Paulo gravando funk. Em breve,
queremos realizar a Parada Funk também fora do Brasil, para mostrarmos
ao mundo como nossa cultura é importante.
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