Nem prata, nem bronze. O trabalho de Leo Justi vale ouro, e não é
exagero dizer isso. Para divulgar o single "Bad girls", lançado no mês
passado, com as participações de Missy Elliot e Azealia Banks, a rapper
M.I.A. inovou, criando um pen-drive em formato de chave de carro, preso a
um colar, contendo a versão original e três remixes, incluindo um
assinado pelo emergente músico, DJ e produtor carioca.
Folheada a ouro 18 quilates e vendida no site da artista por US$ 50, a peça já foi vista no pescoço de Beyoncé e deu um valioso impulso na carreira de Justi. Usando o batidão do funk carioca como principal matéria-prima para suas músicas — elogiadas pelas revistas "Vice" e "Spin", além da MTV americana —, ele deu um passinho à frente e se mudou, há menos de um mês, para Londres, onde vai ficar até o fim do ano.
Na capital inglesa, Justi, 25 anos, filho do oboísta Luis Carlos Justi (do Quinteto Villa-Lobos), vai trabalhar novamente com M.I.A. — com quem já viajou à Índia, em novembro do ano passado — e também divulgar as músicas do seu "Heavy Baile", nome do EP que vai lançar até o fim do ano, possivelmente pelo selo Mad Decent, do produtor e DJ americano Diplo — outra figurinha fácil no Brasil. Uma das faixas desse trabalho, "Gaitero", já ganhou um criativo videoclipe, dirigido por Pedro Acosta, em clima de western, com um duelo nas areias do deserto (na verdade, da praia de Piratininga, em Niterói), entre dois meninos (Luiz Felipe, de 8 anos, e Cristian, de 10), ambos moradores do Morro do Cantagalo, simulando a Batalha do Passinho.
— "Gaitero" tem essa releitura de "Jack matador", de Leo Canhoto e Robertinho, que é um ponto clássico do funk. Tive a ideia de acrescentar a gaita depois de ouvir alguém tocando uma na roda de rap que rola toda semana na Praia de Botafogo — conta Justi. — E o clipe, com os meninos dançando passinho, foi uma sacada do Pedro Acosta. Gravamos tudo em três dias. Embora eu não me ligue muito no funk atual e curta mais aquele feito até 2007, por gente como Tati Quebra-Barraco, Mister Catra e Bonde do Tigrão, ele é a minha matéria-prima, é um som que faz sentido para mim e que, gostem ou não, representa a minha cidade.
Curiosamente, Justi começou a ligação com a música tocando violino, aos 8 anos, por influência dos pais (a mãe é pianista). Com 12 anos, porém, ele já tocava guitarra numa banda de punk rock. De 2003 até 2007, fez parte do grupo Soma, até trocar o instrumento por programas de edição como Sonar e Ableton Live, influenciado por festas como as do coletivo Digitaldubs ("Fiquei viciado em dancehall", conta ele). No caminho rumo às pistas de dança, fez um curso técnico de Produção Fonográfica.
— Foi mais por pressão dos meus pais, que queriam que eu tivesse alguma formação técnica, embora eu já produzisse por conta própria — revela. — Não queria mais participar de bandas.
Contato pelo Twitter
A partir de 2009, Justi começou a tocar como DJ em festas como To-toma e Bootie (ambas na Fosfobox, em Copacabana). Criou também mashups, se apresentou ao lado do rapper De Leve e começou a fazer remixes sem parar, enfileirando Major Lazer, Lil Wayne e MC Zulu, entre outros. Até que viu M.I.A. anunciar, no ano passado, via Twitter, que buscava colaborações para o seu novo disco (o ainda inédito "Matangi"). Sem grandes expectativas, ele se apresentou em menos de 140 caracteres e mostrou o link para as suas produções no Soundcloud. Já tinha quase esquecido do assunto quando, semanas depois, viu uma resposta da rapper, encaminhada diretamente para ele, dizendo, também de forma sucinta: "Vamos trabalhar juntos?" Justi foi.
— Ficamos trocando e-mails até que um dia ela me chamou para ir à Índia, com tudo pago. Foi uma loucura, mas claro que aceitei. Ficamos uma semana em Chennai, trabalhando no hotel, enquanto ela filmava e gravava com percussionistas locais. Fiquei um pouco intimidado no começo, mas depois as coisas fluíram bem. Fiz esse remix oficial de "Bad girls" e deixei alguns rascunhos encaminhados. Foi um grande aprendizado.
Na volta ao Rio, Justi começou a investir mais em suas próprias produções e menos nos remixes. Além do funk carioca, seu esperado "Heavy baile" vai ter outras batidas das ruas, como kuduro (angolano), dancehall (jamaicano) e footwork (de Chicago), como revelam algumas das canções, como "Homem mau", que ele já tem "quase prontas".
— Sou muito perfeccionista, já poderia ter lançado o disco, mas sempre acho que posso melhorar um pouco mais as coisas — admite. — Mas é bom segurar um pouco mesmo, porque posso tocar as faixas aqui em Londres e ver como as pessoas reagem a elas. É um outro público. Toquei outro dia mesmo, num domingo, numa festa durante o carnaval de Notting Hill e foi insano. Nego pirou.
Na capital inglesa, entre uma festa e outra, além do que chama de "intensa social musical", Justi já encontrou sua madrinha musical, mas sem qualquer clima de conto de fadas.
— Estive com a M.I.A. no estúdio, onde ela está acabando de gravar o disco novo. Deixei com ela algumas batidas e coisas nossas que eu finalizei no Brasil. Mas ainda não sei que material meu vai entrar no disco. Talvez "Saturday", que fizemos juntos. No próximo encontro, vou saber melhor. Não posso me precipitar. O que vier é lucro. Estou aqui para aprender.
Folheada a ouro 18 quilates e vendida no site da artista por US$ 50, a peça já foi vista no pescoço de Beyoncé e deu um valioso impulso na carreira de Justi. Usando o batidão do funk carioca como principal matéria-prima para suas músicas — elogiadas pelas revistas "Vice" e "Spin", além da MTV americana —, ele deu um passinho à frente e se mudou, há menos de um mês, para Londres, onde vai ficar até o fim do ano.
Na capital inglesa, Justi, 25 anos, filho do oboísta Luis Carlos Justi (do Quinteto Villa-Lobos), vai trabalhar novamente com M.I.A. — com quem já viajou à Índia, em novembro do ano passado — e também divulgar as músicas do seu "Heavy Baile", nome do EP que vai lançar até o fim do ano, possivelmente pelo selo Mad Decent, do produtor e DJ americano Diplo — outra figurinha fácil no Brasil. Uma das faixas desse trabalho, "Gaitero", já ganhou um criativo videoclipe, dirigido por Pedro Acosta, em clima de western, com um duelo nas areias do deserto (na verdade, da praia de Piratininga, em Niterói), entre dois meninos (Luiz Felipe, de 8 anos, e Cristian, de 10), ambos moradores do Morro do Cantagalo, simulando a Batalha do Passinho.
— "Gaitero" tem essa releitura de "Jack matador", de Leo Canhoto e Robertinho, que é um ponto clássico do funk. Tive a ideia de acrescentar a gaita depois de ouvir alguém tocando uma na roda de rap que rola toda semana na Praia de Botafogo — conta Justi. — E o clipe, com os meninos dançando passinho, foi uma sacada do Pedro Acosta. Gravamos tudo em três dias. Embora eu não me ligue muito no funk atual e curta mais aquele feito até 2007, por gente como Tati Quebra-Barraco, Mister Catra e Bonde do Tigrão, ele é a minha matéria-prima, é um som que faz sentido para mim e que, gostem ou não, representa a minha cidade.
Curiosamente, Justi começou a ligação com a música tocando violino, aos 8 anos, por influência dos pais (a mãe é pianista). Com 12 anos, porém, ele já tocava guitarra numa banda de punk rock. De 2003 até 2007, fez parte do grupo Soma, até trocar o instrumento por programas de edição como Sonar e Ableton Live, influenciado por festas como as do coletivo Digitaldubs ("Fiquei viciado em dancehall", conta ele). No caminho rumo às pistas de dança, fez um curso técnico de Produção Fonográfica.
— Foi mais por pressão dos meus pais, que queriam que eu tivesse alguma formação técnica, embora eu já produzisse por conta própria — revela. — Não queria mais participar de bandas.
Contato pelo Twitter
A partir de 2009, Justi começou a tocar como DJ em festas como To-toma e Bootie (ambas na Fosfobox, em Copacabana). Criou também mashups, se apresentou ao lado do rapper De Leve e começou a fazer remixes sem parar, enfileirando Major Lazer, Lil Wayne e MC Zulu, entre outros. Até que viu M.I.A. anunciar, no ano passado, via Twitter, que buscava colaborações para o seu novo disco (o ainda inédito "Matangi"). Sem grandes expectativas, ele se apresentou em menos de 140 caracteres e mostrou o link para as suas produções no Soundcloud. Já tinha quase esquecido do assunto quando, semanas depois, viu uma resposta da rapper, encaminhada diretamente para ele, dizendo, também de forma sucinta: "Vamos trabalhar juntos?" Justi foi.
— Ficamos trocando e-mails até que um dia ela me chamou para ir à Índia, com tudo pago. Foi uma loucura, mas claro que aceitei. Ficamos uma semana em Chennai, trabalhando no hotel, enquanto ela filmava e gravava com percussionistas locais. Fiquei um pouco intimidado no começo, mas depois as coisas fluíram bem. Fiz esse remix oficial de "Bad girls" e deixei alguns rascunhos encaminhados. Foi um grande aprendizado.
Na volta ao Rio, Justi começou a investir mais em suas próprias produções e menos nos remixes. Além do funk carioca, seu esperado "Heavy baile" vai ter outras batidas das ruas, como kuduro (angolano), dancehall (jamaicano) e footwork (de Chicago), como revelam algumas das canções, como "Homem mau", que ele já tem "quase prontas".
— Sou muito perfeccionista, já poderia ter lançado o disco, mas sempre acho que posso melhorar um pouco mais as coisas — admite. — Mas é bom segurar um pouco mesmo, porque posso tocar as faixas aqui em Londres e ver como as pessoas reagem a elas. É um outro público. Toquei outro dia mesmo, num domingo, numa festa durante o carnaval de Notting Hill e foi insano. Nego pirou.
Na capital inglesa, entre uma festa e outra, além do que chama de "intensa social musical", Justi já encontrou sua madrinha musical, mas sem qualquer clima de conto de fadas.
— Estive com a M.I.A. no estúdio, onde ela está acabando de gravar o disco novo. Deixei com ela algumas batidas e coisas nossas que eu finalizei no Brasil. Mas ainda não sei que material meu vai entrar no disco. Talvez "Saturday", que fizemos juntos. No próximo encontro, vou saber melhor. Não posso me precipitar. O que vier é lucro. Estou aqui para aprender.
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