Rio Parada Funk: 10 equipes de som, 50 DJs e 40 MCs animam evento no Largo da Carioca domingo

O sentimento, embora possa parecer estranho para um ritmo tão característico do Rio, é de expectativa de inclusão e de legitimação do funk. No domingo, em plena Rua da Carioca, o Rio Parada Funk quer dar voz a esse movimento. E é para fazer barulho: serão dez equipes de som, 50 DJs e 40 MCs, que se revezarão das 10h às 20h para mostrar a cara e animar o público.
— Esse evento é importante para o funk carioca se assumir como cultura da cidade e a cidade assumir o funk carioca — afirma Mateus Aragão, idealizador e coordenador do projeto.
Para Mr. Catra — que se apresenta ao lado de Bob Rum, Créu, Galo, Havaiannos, Junior e Leonardo e Marcinho, entre outros, e é uma das atrações mais aguardadas do grande dia — a realização da parada confirma o fim da discriminação contra o funk.
— Toda a cidade, o governo, as autoridades chamaram a responsabilidade de nossa cultura para o peito. É a primeira vez que vejo isso e eu estou felizão pela atitude cultural e pelo resgate — explica Catra, sem revelar o que está preparando para a sua apresentação no domingo: — Só sei que o bagulho vai ficar bom.
A partir das 10h, a programação será dedicada a debates e oficinas. Em seguida, ao meio-dia, a música começa a tomar conta do pedaço. Organizados em ordem cronológica, dez pequenos palcos montados ao longa da Rua da Carioca serão comandados por equipes de som (dez no total) e grupos de DJs e MCs, agrupados de acordo com o estilo e a época que representam. DJ Fú, por exemplo, está preparando um repertório com muito eletrônico e soul, buscando a origem do funk.
Às 17h, equipes como Furacão 2000, Big Mix e Pipo’s encerram suas atividades e convidam o público a dançar uma mesma coreografia, o "passinho", atual febre do funk. Vitinho, integrante dos Avassaladores, um dos grupos que estará no comando dessa parte da atração, explica que está ensaiando um novo passo, criado especialmente para o dia.
O momento também marca a transição para o palco principal, montado no Largo da Carioca, onde a reunião de todos os participantes encerra a programação. Será um grito de guerra e de autoafirmação do funk.
— A galera que estiver passando vai escutar o funk de verdade, o funk de raiz, porque o funk vem do gueto, vem da favela, vem da periferia — afirma MC Sabrina, outra estrela da festa.
A ideia é que o Rio Parada Funk entre de vez para o calendário oficial da cidade.
— É a chance que o funk está tendo de mostrar sua capacidade de organização, de produção. É a prova de que pode conviver com a cidade.

Comentários